quinta-feira, 2 de julho de 2015

A impressionante audição da traça-da-cera




Uma traça-da-cera
 
 A TRAÇA-DA-CERA consegue ouvir sons de alta frequência melhor que qualquer outra criatura conhecida. Mas seus dois ouvidos, cada um mais ou menos do tamanho de uma cabeça de alfinete, têm uma estrutura bem simples.

 Por anos, a audição da traça-da-cera tem sido objeto de estudo. Recentemente, cientistas da Universidade de Strathclyde, Escócia, usaram várias frequências de som para testar a audição da traça. Eles mediram as vibrações das membranas timpânicas e registraram a atividade dos nervos auditivos desses insetos. Os tímpanos continuaram a reagir quando expostos a sons na frequência de 300 quilohertz. Para efeito de comparação, segundo registros, a ecolocalização do morcego chega a 212 quilohertz, a audição dos golfinhos alcança 160 quilohertz e os humanos não conseguem ouvir além de 20 quilohertz.

 Pesquisadores pretendem utilizar a capacidade auditiva superior da traça-da-cera como base para novas tecnologias. Por exemplo, ela poderia ser aplicada no desenvolvimento de “microfones menores e melhores”, de acordo com o Ph.D. em engenharia eletrônica James Windmill, da Universidade de Strathclyde. “Eles poderiam ser colocados em diversos dispositivos, como celulares e aparelhos auditivos.”

O bigode do gato




Um gato
 
A MAIORIA dos gatos domésticos tem hábitos noturnos. Pelo visto, seu bigode os ajuda a identificar objetos próximos e a capturar presas, especialmente depois que anoitece.

 Os pelos do bigode do gato estão ligados a tecidos que possuem várias terminações nervosas. Esses nervos são sensíveis até ao mais leve movimento do ar. Por isso, os gatos podem detectar objetos próximos sem vê-los — o que obviamente é uma vantagem no escuro.

 Visto que seu bigode é sensível à pressão, os gatos o usam para determinar a posição e o movimento de um objeto ou de uma presa. O bigode também ajuda o gato a medir a largura de uma abertura antes que ele tente passar por ela. A Encyclopædia Britannica reconhece que “as funções dos pelos do bigode do gato (as vibrissas) ainda não são totalmente entendidas; mas sabe-se que, se forem cortados, o gato ficará temporariamente incapacitado”.

 Cientistas estão projetando robôs equipados com sensores que imitam o bigode do gato, que ajudariam os robôs a evitar obstáculos. Esses sensores, chamados de e-whiskers (bigode eletrônico), “devem oferecer uma ampla gama de aplicações na robótica avançada, interfaces de interação homem-máquina e biotecnologias”, disse Ali Javey, um pesquisador da Universidade da Califórnia, Berkeley.

A bioluminescência da lula-anã do Havaí




Lula-anã do Havaí
 A LULA-ANÃ Euprymna scolopes é um animal de hábitos noturnos. Ela cria sua própria luz, mas não para chamar a atenção. O que ela quer é ser confundida com a luz da lua e das estrelas. O segredo do animal é sua parceria com bactérias emissoras de luz. Essa parceria talvez revele informações que podem ter uma aplicação indireta para a saúde dos humanos.

 Essa espécie de lula-anã vive nas cristalinas águas costeiras das ilhas havaianas. A luz da lua e das estrelas normalmente destaca a silhueta de um animal, tornando-o visível a predadores que estão abaixo dele. Mas essa lula emite um brilho da parte inferior de seu corpo que imita a intensidade e até o comprimento de onda da luz noturna do ambiente. O resultado é a “invisibilidade” — nenhuma silhueta, nenhuma sombra. A lula consegue isso graças a um “equipamento” sofisticado: um órgão que hospeda bactérias bioluminescentes que conseguem produzir o brilho exato para camuflar seu hospedeiro.

 Além disso, as bactérias talvez ajudem a regular o relógio biológico da lula. Isso interessou os cientistas, pois essa relação entre bactérias e ritmos biológicos talvez não exista apenas nas lulas-anãs. Nos mamíferos, por exemplo, algumas bactérias que contribuem para a digestão podem estar relacionadas a ritmos biológicos. Distúrbios nesses ritmos têm sido ligados à depressão, diabetes, obesidade e transtornos do sono. Por isso, o estudo da interação entre as bactérias e a lula-anã pode fornecer informações úteis para a saúde humana.

O peixe-papagaio — um peixe que fabrica areia

Um peixe-papagaio


 DE ONDE vem a areia? De muitos lugares. Mas você talvez se surpreenda por saber que ela também vem de um peixe. Ele tritura coral até se tornar areia fina. Que peixe é esse? É o bodião, também conhecido como peixe-papagaio.

 O peixe-papagaio vive em águas tropicais em todo o mundo. Depois de triturar e engolir pedaços de coral, esse peixe extrai deles partículas de comida e então expele o restante em forma de areia. Nesse processo, o peixe-papagaio usa suas poderosas mandíbulas em forma de bico e seus fortes dentes de trás. Algumas espécies chegam a viver até 20 anos, sem desgastar os dentes.

 Em algumas regiões, ao constantemente mastigar coral morto, o peixe-papagaio produz mais areia que qualquer outro processo natural. Alguns pesquisadores calculam que um peixe-papagaio produz cerca de cem quilos de areia por ano.


 O peixe-papagaio realiza outra tarefa vital. Por se alimentar constantemente de material vegetal e coral morto coberto de algas, ele mantém os corais limpos. Assim, essa dieta peculiar do peixe-papagaio contribui para a saúde dos recifes de coral. Nos locais onde não há peixes-papagaios nem outros herbívoros, os recifes são rapidamente sufocados por algas. “Alguns sugerem que os recifes de hoje não seriam o que são se não fossem os herbívoros”, explica o livro Reef Life (A Vida nos Recifes).

 Toda essa atividade durante o dia requer um bom descanso à noite, e nessa hora o peixe-papagaio apresenta mais uma curiosidade. O recife é perigoso à noite por causa da grande quantidade de predadores. O peixe-papagaio geralmente dorme escondido embaixo de uma saliência no recife, mas esse esconderijo nem sempre o protege de um tubarão faminto.

 Para aumentar sua segurança, algumas espécies de peixe-papagaio se “cobrem” para passar a noite. Elas secretam um muco fedorento que envolve o corpo do animal e lembra uma camisola transparente. Cientistas marinhos acreditam que essa cobertura protege o peixe contra predadores.

 O peixe-papagaio é um dos peixes que mais chamam a atenção num recife. Geralmente, tanto os machos como as fêmeas apresentam variadas cores vivas, que vão mudando até a fase adulta. Mas o melhor de tudo é que ele é um dos peixes mais fáceis de observar, pois não é arisco em regiões onde não há pesca excessiva.

 Ao mesmo tempo em que exibem suas belíssimas cores, os peixes-papagaios limpam o recife e o tornam um lugar agradável tanto para a vida marinha quanto para os humanos. Chegar perto de um peixe-papagaio, e observá-lo e ouvi-lo enquanto mastiga coral, é algo que muitos exploradores de recifes jamais esquecerão.


                                                                    Peixe-papagaio Scarus niger


CURIOSIDADES SOBRE O PEIXE-PAPAGAIO

Os peixes-papagaios (conhecidos pelos cientistas como Scaridae) pertencem a uma grande família de cerca de 80 espécies que frequentam recifes de coral nos trópicos. Seu nome popular vem de sua boca, que lembra o bico de um papagaio. O comprimento do peixe-papagaio varia de 50 centímetros a 1 metro.


A mandíbula do crocodilo


Uma mãe crocodilo carrega seu filhote em segurança em sua boca


 ENTRE todos os animais que existem hoje, o crocodilo tem a mordida mais poderosa já medida. Por exemplo, o crocodilo-de-água-salgada, encontrado próximo à Austrália, pode ter uma mordida três vezes mais forte do que a de um leão ou um tigre. Mesmo assim, a mandíbula do crocodilo é incrivelmente sensível ao toque — até mais sensível do que a ponta do dedo humano. 

 A mandíbula do crocodilo é coberta de milhares de saliências que agem como sensores e contêm uma quantidade enorme de terminações nervosas. Depois de estudá-las, o pesquisador Duncan Leitch observou que “cada uma das terminações nervosas sai de um orifício no crânio”, o que protege as fibras nervosas na mandíbula. Em alguns pontos, a sensibilidade resultante vai além do que os instrumentos podem medir. Assim, o crocodilo consegue perceber se o que está em sua boca é comida ou não. Por isso, uma mãe crocodilo pode carregar seus filhotes na boca sem esmagá-los acidentalmente. A mandíbula do crocodilo é uma combinação surpreendente de força e sensibilidade.

Micro-organismos que comem petróleo

Vazamento de petróleo no golfo do México


 EM 2010, quase 5 milhões de barris (800 milhões de litros) de petróleo bruto vazaram no golfo do México depois que uma plataforma explodiu e afundou. Mesmo assim, em alguns meses, grande parte da contaminação desapareceu. 

 Pesquisas científicas mostraram que há muitas bactérias marinhas que podem digerir as moléculas complexas de carbono presentes no petróleo. O professor Terry Hazen, microbiologista ambiental, descreveu esses organismos como “mísseis que têm o petróleo como alvo”. Esses organismos foram parcialmente responsáveis pela limpeza do golfo do México.
 "De certa forma, não é nenhuma surpresa que os mares abriguem micróbios famintos de petróleo”, diz uma reportagem da BBC. Afinal, “vazamentos naturais do leito oceânico têm liberado petróleo nas águas do mundo” há incontáveis eras.


É verdade que os esforços humanos de limpar vazamentos de petróleo funcionam. Mesmo assim, esses esforços podem mais prejudicar do que ajudar. Dispersantes químicos interferem nos processos naturais que desintegram o petróleo. Além disso, essas substâncias químicas são tóxicas e prejudicam o meio ambiente por muito tempo. Mas a capacidade da natureza de decompor o petróleo, como, por exemplo, a ação desses micróbios, faz com que o mar ative um processo de autolimpeza sem os efeitos negativos de métodos artificiais.

A engrenagem do Issus Coleoptratus



 ACREDITAVA-SE que mecanismos de engrenagem eram resultado da criatividade humana. Mas agora foi provado o contrário. Descobriu-se uma estrutura similar a uma engrenagem com rodas dentadas num inseto — a ninfa do Issus coleoptratus,encontrado em jardins em toda a Europa.
 
 A ninfa desse inseto pode alcançar uma velocidade de 3,9 metros por segundo em apenas dois milésimos de segundo. Isso submete seu corpo a uma força quase 400 vezes maior do que a força da gravidade! Esse inseto pode sumir de vista num piscar de olhos. Para um salto como esse, é necessário que as duas pernas traseiras dele exerçam exatamente a mesma força ao mesmo tempo. Cientistas descobriram dentes de engrenagem onde as pernas traseiras se juntam ao corpo do inseto. Quando ele salta, os dentes de uma perna se encaixam nos dentes da outra, fazendo com que as duas pernas estejam perfeitamente sincronizadas. Se não houvesse essa sincronia, o salto se tornaria um giro descontrolado.

 Quando animais maiores saltam, seu sistema nervoso comanda a sincronização das pernas. Mas, para a ninfa do Issus coleoptratus, os pulsos neurais seriam muito lentos. Por isso, ela possui essa engrenagem. “Quando pensamos em engrenagens, geralmente as associamos a máquinas projetadas pelo homem”, diz o escritor e pesquisador Gregory Sutton. Ele acrescenta que a razão disso é que “não procuramos o suficiente”.