segunda-feira, 13 de novembro de 2017

O isolamento térmico da formiga prateada do Saara

  
  A FORMIGA prateada do Saara (Cataglyphis bombycina) é um dos animais que mais tolera altas temperaturas. No Saara, quando o sol do meio-dia obriga os predadores dessa formiga a procurar sombra, a formiga prateada sai do formigueiro em busca de comida. Ela come outros insetos que não resistiram ao calor intenso.

  Essa formiga tem um sistema de isolamento térmico composto de duas partes: uma cobertura de pelos especiais, que revestem a parte de cima e as laterais do seu corpo; e uma parte sem pelos, que é a parte de baixo do seu corpo. Os pelos, que dão à formiga uma aparência brilhante, são tubos minúsculos, com formato triangular. Os dois lados de fora desse tubo têm ondulações microscópicas. O lado que fica encostado no corpo da formiga é diferente, ele é liso. Esse formato tem duas funções. Primeiro, ele ajuda os pelos a refletir a radiação solar presente na luz visível e nos raios infravermelhos curtos. Segundo, ele ajuda a formiga a eliminar o calor absorvido do meio ambiente. E para que serve a parte sem pelos da formiga? Ela reflete a radiação dos raios infravermelhos médios, que vêm do solo do deserto (A formiga prateada tem outras características que a ajudam a suportar o calor. Por exemplo: proteínas que não são quebradas facilmente com o calor intenso; longas pernas que a ajudam a andar rápido sem encostar na areia quente; e um incrível senso de direção, que a ajuda a encontrar o caminho mais rápido para o formigueiro).

  O sistema de isolamento térmico da formiga prateada permite que ela mantenha a temperatura do seu corpo abaixo de 53,6 graus Celsius, que é o máximo que ela aguenta. Inspirados nessa formiga, os pesquisadores estão desenvolvendo revestimentos especiais, que ajudam a manter o ambiente fresco sem precisar de ventiladores e outros aparelhos.

                                                             50 micrômetros                                                       10 micrômetros

O pouso das abelhas

   

    AS ABELHAS conseguem pousar com segurança em qualquer ângulo de uma superfície. Como?

  Para fazer um pouso seguro, a abelha precisa voar cada vez mais devagar, até atingir uma velocidade quase zero antes de chegar à superfície. O mais lógico seria a abelha calcular a velocidade do voo e a distância do alvo. Daí ela teria que reduzir a velocidade de acordo com esse cálculo. Mas isso é difícil para a maioria dos insetos. Seus olhos não conseguem medir distâncias, porque são muito próximos um do outro e não têm a capacidade de se ajustar para focalizar algo.

  Esse tipo de visão é diferente da visão dos humanos. Nossa visão é binocular, ou seja, conseguimos calcular a que distância um objeto está. No caso das abelhas, parece que elas simplesmente percebem que um objeto fica “maior” à medida que se aproximam dele. Quanto mais rápido a abelha se aproxima, mais rápido o objeto “cresce”. Experiências feitas na Universidade Nacional Australiana mostram que a abelha vai diminuindo a sua velocidade até que o objeto pareça crescer num ritmo constante. Antes de pousar no objeto, a abelha reduz a velocidade a praticamente zero. Assim, ela consegue fazer um pouso seguro.

  Uma revista científica * dos Estados Unidos disse: “Essa estratégia de pouso é simples e pode ser aplicada em várias situações. . . . É ideal para ser usada em sistemas de direção de robôs voadores.”

A pelagem da lontra-marinha



   


   PARA se manterem aquecidos, muitos mamíferos que vivem em águas geladas contam com uma camada de gordura embaixo da pele. Já a lontra-marinha tem outro tipo de isolamento térmico: um excelente “casaco de pele”.


  A lontra-marinha tem mais pelos do que qualquer outro mamífero. São cerca de 155 mil pelos por centímetro quadrado. Quando a lontra entra na água, a pelagem dela retém uma camada de ar perto da pele. Esse ar funciona como um isolante térmico. Ele impede a água gelada de encostar na pele da lontra e roubar calor do corpo dela.

  Os cientistas acreditam que podem aprender muito com a pelagem da lontra-marinha. Eles já tentaram criar vários casacos com pelos sintéticos, variando alguns aspectos como o comprimento dos pelos e o espaço entre eles. Os pesquisadores concluíram que “quanto mais pelos uma superfície tiver, e quanto mais longos forem os pelos, mais seca e mais resistente à água essa superfície será”. Em outras palavras, a lontra-marinha pode se orgulhar de ter um “casaco” bem eficiente!

  Os pesquisadores esperam que, com base em seus estudos, a tecnologia de design e produção de tecidos à prova d’água seja melhorada. Alguns até se perguntam se os nadadores que precisam mergulhar em águas geladas não deveriam usar maiôs peludos, parecidos com a pelagem da lontra-marinha!

As incríveis andorinhas do Ártico





    ANTIGAMENTE, acreditava-se que a andorinha-do-mar-ártica voava um pouco mais de 35 mil quilômetros para ir e voltar do Ártico até a Antártida. Mas estudos recentes mostram que esse pássaro na verdade voa muito mais do que isso.



  Pequenos aparelhos de localização geográfica, que pesam menos que uma tampa de caneta, foram colocados em algumas andorinhas. Esses aparelhos mostraram que algumas andorinhas voaram em média 90 mil quilômetros numa viagem de ida e volta — a mais longa migração feita por um animal. Uma delas voou quase 96 mil quilômetros! Por que os números mudaram?                                                                                       
                                                                                      
  Não importa onde as andorinhas comecem suas viagens, elas nunca voam em linha reta. O desenho acima mostra isso. O caminho que elas percorrem pelo oceano Atlântico forma um “S”. Mas por que as andorinhas viajam assim? Porque elas usam as correntes de ar para poupar energia.
                                              O caminho que as andorinhas percorrem forma um “S”


  As andorinhas vivem mais ou menos 30 anos, e durante esse tempo elas podem viajar mais de 2,4 milhões de quilômetros. Isso é o mesmo que ir e voltar da lua umas três ou quatro vezes! Um pesquisador disse: “É incrível que um pássaro que pesa pouco mais de cem gramas consiga fazer isso.” Além disso, de acordo com o livro Vida na Terra: Uma História Natural, (Life on Earth: A Natural History) a andorinha-do-mar-ártica vê “a luz do dia mais do que qualquer outro animal”, isso porque ela sempre chega aos polos durante o verão.

O formato das conchas

   
    AS CONCHAS protegem os moluscos que vivem dentro delas contra condições difíceis, permitindo que eles resistam a impactos no fundo do mar. Essa excelente proteção levou engenheiros a estudar o formato e a estrutura das conchas. Isso os ajuda a projetar veículos e prédios que protejam quem está dentro deles.

  Engenheiros estudaram dois formatos de conchas: bivalve (formada por duas peças) e espiral.

  Quando as conchas bivalves sofrem alguma pressão do meio ambiente, sua superfície ondulada faz com que o impacto seja direcionado para suas bordas e para seu ligamento, que funciona como uma dobradiça. Por outro lado, as conchas com formato espiral direcionam o impacto para a parte interna e superior delas. Nos dois casos, o impacto sempre é direcionado para a parte mais resistente da concha. Isso diminui a chance de o molusco que está dentro dela sofrer algum dano.


  Pesquisadores fizeram testes para comparar a resistência de conchas de verdade e de imitação. As imitações foram produzidas numa impressora 3-D e tinham mais ou menos o mesmo formato e composição das conchas. O resultado mostrou que a superfície complexa das conchas de verdade faz com que elas suportem quase duas vezes mais impacto do que as de imitação, que tinham um formato mais simples.


  Uma revista científica 
(Scientific American) comentou o seguinte sobre essa pesquisa: “Se um dia você dirigir um carro com formato de concha, além de ser elegante, ele vai proteger bem quem estiver dentro dele.”

domingo, 27 de novembro de 2016

Um encontro inesquecível


  O CORAÇÃO da floresta equatorial da República Centro-Africana esconde uma joia da fauna vista por poucas pessoas. Após uma viagem difícil de carro de 12 horas por trilhas acidentadas, chegamos ao Parque Nacional de Dzanga-Ndoki, uma reserva natural intacta no sudoeste do país, entre Camarões e a República do Congo. Nosso objetivo era conhecer um gorila-ocidental-das-terras-baixas chamado Makumba e sua família.

  Nossa guia, Bara, nos disse para ficar juntos e tomar cuidado com os elefantes, visto que passaríamos por trilhas usadas todo dia por eles em busca de alimento. Mas os elefantes não eram o único perigo. Bara disse: “Se um gorila avançar em sua direção, fiquem parados e olhem para o chão. Ele não vai machucá-los; apenas vai fazer muito barulho. Não olhem nos olhos dele. Eu, pessoalmente, prefiro fechar os olhos.”

 Nós e Bara fomos conduzidos por um rastreador experiente do povo BaAka, considerado um grupo pigmeu por causa de suas características físicas, como a baixa estatura. Para nosso rastreador, o menor indício visual, cheiro ou som era suficiente para detectar a presença dos animais mais sorrateiros da floresta. Cercados por enxames de abelhas irritantes, tentávamos acompanhar o passo do rastreador enquanto ele avançava mata adentro com facilidade.

  Logo nosso rastreador estava nos levando através da floresta virgem onde poucos ocidentais haviam pisado. De repente, ele parou e indicou com seus braços uma grande área perto de nosso caminho. Vimos ali arbustos e grama esmagados onde gorilas jovens haviam brincado, bem como galhos quebrados e sem folhas — sobras de um petisco. Nossa expectativa foi aumentando durante o percurso.

  Depois de uns três quilômetros, o rastreador diminuiu o passo. Para evitar assustar os gorilas, ele fez um estalo bem peculiar com a língua. Podíamos ouvir perto de nós grunhidos graves intercalados com o barulho de galhos quebrando. Bara sinalizou devagar para avançarmos. Com um dedo sobre a boca, indicou que deveríamos fazer silêncio absoluto. Ela pediu que ficássemos agachados e apontou para as árvores. A cerca de oito metros de distância, ali estava ele: o gorila Makumba!

  O silêncio havia substituído os barulhos da floresta, e a única coisa que conseguíamos ouvir era o nosso coração batendo. É claro que nossa preocupação era se Makumba nos atacaria. Ele olhou em nossa direção aparentemente sem fazer muito caso e nos recepcionou com um bocejo. Nem é preciso dizer que ficamos muito aliviados!

  Apesar de o nome Makumba significar “Veloz” na língua aca, o gorila Makumba estava parado, comendo sem pressa seu café da manhã durante todo o tempo que ficamos ali. Próximo de onde estávamos, dois gorilas jovens estavam brincando. Sopo, um filhote de 10 meses de olhos enormes, brincava perto de sua mãe, Mopambi, que o puxava de volta com carinho sempre que sua curiosidade insaciável o levava a tentar se afastar dela. O resto da família estava tirando folhas e talos de galhos ou se divertindo em grupos. Às vezes, eles olhavam para nós, mas logo perdiam o interesse e voltavam a brincar.

  Após uma hora, nosso tempo se esgotou. Parecia que Makumba também tinha percebido isso — depois de dar um grunhido, ele se ergueu com seus braços enormes e sumiu na floresta. Em poucos segundos, a família toda desapareceu. Embora o tempo que passamos com esses incríveis animais tivesse sido bem pouco, jamais nos esqueceremos desse encontro.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Os fios de bisso do mexilhão



 




  OS MEXILHÕES, assim como as cracas, grudam em pedras, pedaços de madeira e cascos de navios. Só que as cracas se fixam totalmente numa superfície. Já o mexilhão fica pendurado nas superfícies, preso por um tufo de pequenos filamentos chamados fios de bisso. Esse método permite que o mexilhão tenha certa mobilidade, o que facilita a alimentação e a migração. Como o bisso do mexilhão, que parece tão frágil, consegue resistir ao impacto das ondas do mar?

 Os fios de bisso são rígidos em uma ponta, mas moles e elásticos na outra. Pesquisadores descobriram que 80 por cento do bisso é composto de material duro e 20 por cento de material mole. Essa é a proporção exata para o mexilhão ficar bem preso a uma superfície. Com essa estrutura, o bisso consegue aguentar o constante vaivém das ondas. 

  O professor universitário Guy Genin analisou essas pesquisas sobre mexilhões e achou o resultado “fascinante”. Ele disse: “A mágica desse organismo está na estrutura inteligente [do bisso], que é ao mesmo tempo rígida e mole.” Os cientistas acreditam que a estrutura dos fios de bisso pode servir de inspiração para várias coisas. Por exemplo, pode ajudar em tecnologias para fixar equipamentos em prédios e em submarinos. Também pode ser usada para ligar tendões a ossos e para fechar cortes cirúrgicos. O professor Herbert Waite, da Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, Estados Unidos, diz: “No que diz respeito a formas de aderência, a natureza possui uma coleção infindável de tesouros.”

O ciclo de vida da cigarra-periódica





  

  AS CIGARRAS são insetos parecidos com gafanhotos. Elas são encontradas em todos os continentes, menos na Antártida. Mas a cigarra-periódica aparece apenas na América do Norte e já faz tempo que ela atrai a atenção dos biólogos.

 Milhões de cigarras-periódicas aparecem de repente na primavera, apenas por algumas semanas. Na sua curta vida ao ar livre, elas perdem a pele, cantam bem alto, voam, se reproduzem e depois morrem. Uma coisa curiosa é que a próxima geração dessas cigarras só aparece 13 ou 17 anos depois, dependendo da espécie. O que acontece com elas durante todo esse tempo?

  Para responder, precisamos entender o fascinante ciclo de vida da cigarra-periódica. Cerca de uma semana depois de surgir, ela bota de 400 a 600 ovos dentro dos ramos das árvores. Ela morre logo em seguida. Depois de algumas semanas, as larvas saem dos ovos, caem na terra e passam a viver debaixo do chão. Nessa fase da vida, elas se alimentam dos nutrientes das raízes de arbustos ou de árvores por vários anos. Depois de 13 ou 17 anos, surge outra geração dessa cigarra, e um novo ciclo começa.

  De acordo com um artigo da revista Nature, o complexo ciclo de vida dessas cigarras “tem deixado os cientistas confusos por séculos. . . . Até hoje, os especialistas em insetos tentam entender como o incrível ciclo de vida da cigarra-periódica evoluiu”. Esse é um dos grandes mistérios da natureza.

O pescoço da formiga



Formiga carregando folhas na boca
  ENGENHEIROS MECÂNICOS ficam impressionados com a habilidade da formiga de levantar cargas muito mais pesadas do que ela mesma. Para entender como ela consegue fazer isso, engenheiros da Universidade do Estado de Ohio, EUA, criaram modelos em computador para estudar como funciona o pescoço da formiga, bem como sua anatomia e propriedades físicas. Eles criaram esses modelos usando imagens transversais de raios-X e simulações que medem a resistência do pescoço da formiga.

  O pescoço é uma parte importante da formiga, pois precisa suportar todo o peso da carga que ela carrega na boca. Ele contém tecidos moles que se ligam ao exoesqueleto do corpo e da cabeça como se fossem dedos entrelaçados. Um dos pesquisadores diz: “O formato e a estrutura dessa ligação são importantes porque mantêm mais forte a junção entre a cabeça e o corpo e ajudam o pescoço a suportar enormes cargas.” Os pesquisadores acham que entender bem como o pescoço da formiga funciona vai ajudar a projetar mecanismos robóticos mais eficientes.

As magníficas araras


Arara-canindé ou arara-de-barriga-amarela



  UM BANDO de aves levanta voo de repente no meio da floresta. Um espetáculo de cores vivas! Essa cena impressionou os exploradores europeus que chegaram às Américas Central e do Sul no fim dos anos 1400. O que eles viram eram araras, papagaios de cauda longa que habitam as regiões tropicais das Américas. Em pouco tempo, mapas da região continham gravuras dessas magníficas aves. Elas se tornaram símbolo do paraíso recém-descoberto.

  Tanto o macho como a fêmea têm cores vivas, o que não é comum entre as aves coloridas. As araras também são inteligentes e sociáveis. Seus gritos são altos e estridentes. De manhã cedo, elas saem voando em bandos de umas 30 aves para procurar sementes, frutas tropicais e outros alimentos. Assim como é típico dos papagaios, as araras geralmente seguram o alimento com as garras e comem com o bico grande e curvado. Elas conseguem quebrar até a casca dura de nozes. Depois de se alimentar, costumam voar em bandos para rochedos ou margens de rios para comer barro. Isso pode ajudar a neutralizar o efeito das toxinas dos alimentos e suprir os elementos químicos de que precisam.

  As araras normalmente ficam com o mesmo parceiro a vida toda. Tanto o macho como a fêmea cuidam dos filhotes. As várias espécies fazem ninhos em árvores ocas, em buracos em barrancos e cupinzeiros, ou em cavidades e fendas de rochedos. É comum vê-las alisando as penas umas das outras com o bico. Em seis meses os filhotes já estão plenamente desenvolvidos, mas ficam com os pais por uns três anos. Na natureza, as araras vivem de 30 a 40 anos. Mas em cativeiro algumas vivem mais de 60 anos. Existem cerca de 18 espécies de araras.

Arara-vermelha

         Arara-vermelha. Tamanho: até 95 centímetros               

Araracanga

Araracanga. Tamanho: 85 centímetros



Araraúna ou arara-azul-grande. Tamanho: até 1 metro. O maior de todos os papagaios; pode pesar mais de 1,3 quilo












A siba e sua habilidade de mudar de cor



  A SIBA consegue mudar de cor e se camuflar, ficando quase invisível aos olhos humanos. De acordo com certo relatório, as sibas “são conhecidas por ter uma variedade de padrões de pele que podem mudar entre si quase que instantaneamente”.

  Para mudar de cor, a siba usa o cromatóforo, um tipo especial de célula encontrado sob sua pele. Os cromatóforos contêm bolsas cheias de pigmentos coloridos e são rodeados por músculos bem pequenos. Quando a siba precisa se camuflar, seu cérebro envia um sinal para contrair os músculos em volta das bolsas. Então as bolsas e os pigmentos dentro delas se expandem, e a siba muda rapidamente de cor e de padrão de pele. A siba pode usar essa habilidade não apenas para se camuflar, mas também para impressionar possíveis parceiros e se comunicar.

  Engenheiros da Universidade de Bristol, Inglaterra, desenvolveram uma pele artificial de siba. Eles colocaram discos de borracha preta entre pequenos dispositivos que funcionam como os músculos da siba. Quando os pesquisadores aplicaram eletricidade à pele, os dispositivos se achataram e expandiram os discos pretos, escurecendo e mudando a cor da pele artificial.

  Segundo o engenheiro Jonathan Rossiter, as pesquisas sobre os músculos da siba — “as estruturas macias que a natureza faz tão bem” — poderiam levar à fabricação de roupas que mudariam de cor numa fração de segundo. Rossiter disse que as pessoas poderiam usar roupas inspiradas na siba para se camuflar, ou simplesmente por uma questão de moda.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

As baleias estão aqui!

 


  Todos os anos, no começo de julho, as fêmeas da baleia-franca-austral (Eubalaena australis), também conhecida como “baleia certa”, chegam ao litoral sul de Santa Catarina, Brasil. Elas vêm de tão longe como a região da Antártida, que fica a milhares de quilômetros, para dar à luz e amamentar seus filhotes nas águas rasas. Durante muitos meses, moradores e turistas que estão nas praias ou penhascos ficam maravilhados de observar as baleias — mães e filhotes descansando ou brincando na água! *

Gigantes marinhos acrobatas

  Uma fêmea pode chegar a 16 metros de comprimento, mais ou menos o tamanho de um ônibus articulado, e pesar até 80 toneladas. Seu corpo gigante geralmente é preto, às vezes com manchas brancas na barriga. A cabeça é enorme, um quarto do comprimento do corpo. A boca é longa e arqueada. Essa espécie de baleia não tem nadadeira dorsal, como algumas têm. Para nadar para frente, ela flexiona sua cauda larga e pontiaguda para cima e para baixo, em vez de para os lados, como os peixes fazem. Para mudar de direção, ela movimenta suas nadadeiras. Isso é parecido à manobra de um avião.

  Embora sejam enormes, as baleias-francas são bem ágeis. Elas fazem acrobacias impressionantes: boiam com a cauda fora da água por longos períodos; levantam a cauda e a batem com força na água; saltam e, quando caem, espirram tanta água que dá para ver de longe.

Características físicas


  Na cabeça das baleias-francas há várias calosidades esbranquiçadas ou amareladas — áreas ásperas da pele cobertas por colônias de pequenos crustáceos chamados de ciamídeos, ou piolhos-de-baleia. Karina Groch, coordenadora do Projeto Baleia Franca, do Brasil, explica: “Cada padrão de calosidades é único, assim como as impressões digitais de uma pessoa. Isso permite a identificação de cada baleia-franca. Quando as baleias visitam nosso litoral, tiramos fotos de suas calosidades e registramos essas fotos em nosso sistema.”

  Biólogos dizem que é difícil saber com que idade as baleias-francas morrem porque essa espécie não tem dentes. Eles calculam que a baleia-franca viva pelo menos 65 anos.
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Hábitos alimentares curiosos


  As baleias-francas se alimentam de minúsculos crustáceos. Em cada lado do maxilar superior, elas têm um “filtro” composto por centenas de barbatanas que possuem placas com franjas de cerdas finas. Ao nadar, as baleias abrem a boca, filtrando a água pelas barbatanas para capturar suas minúsculas presas. Assim, cada baleia pode consumir até 2 toneladas de crustáceos por dia.

  A baleia-franca-austral passa o verão (janeiro/fevereiro) se alimentando no oceano Antártico. Assim, ela consegue acumular bastante gordura em sua pele. Essa gordura serve como um excelente isolante quando ela está em águas frias e como reserva de alimento quando ela migra.

Por que ela tem esse nome?


  Do século 18 em diante, baleeiros caçaram grandes quantidades dessas baleias no Hemisfério Sul. Elas eram consideradas as baleias “certas” para caçar. Por quê? Essas baleias nadam devagar; por isso, até mesmo baleeiros em barcos frágeis de madeira, equipados apenas com arpões manuais, conseguiam caçá-las. E, diferentemente de outras espécies de baleia, as baleias-francas flutuam depois de mortas, por causa da enorme quantidade de gordura. Assim, os baleeiros conseguiam facilmente arrastá-las para a praia.

  Além disso, a gordura e as barbatanas de baleia eram importantes mercadorias no passado. A gordura era usada como lubrificante e em lâmpadas a óleo nos postes das ruas. As barbatanas eram usadas para fazer armações de espartilhos e de guarda-chuvas, bem como chicotes para charretes. O valor das barbatanas de apenas uma baleia podia cobrir todas as despesas de uma viagem de caça!

  No início do século 20, a caça excessiva reduziu bastante a população de baleias-francas e, com o tempo, a caça às baleias deixou de ser uma atividade lucrativa. No Brasil, a última estação baleeira foi fechada em 1973. Embora a população de algumas espécies de baleia esteja aumentando aos poucos, outras continuam seriamente ameaçadas de extinção.

Plantas com habilidade matemática

 


  AS PLANTAS usam um processo complexo chamado fotossíntese para extrair energia da luz solar a fim de produzir alimento. Estudos realizados com algumas espécies revelaram que elas conseguem ainda outra façanha — elas calculam a quantidade ideal do alimento que vão consumir durante a noite.

  Durante o dia, as plantas convertem dióxido de carbono da atmosfera em amido e açúcares. À noite, muitas espécies consomem o amido estocado durante o dia para evitar a desnutrição e manter a produtividade e o crescimento. Além disso, elas processam o amido em estoque no ritmo certo — nem muito rápido nem muito devagar. Assim, consomem cerca de 95% desse amido até o amanhecer, quando começam a produzir mais.

  Essas descobertas se basearam em experimentos realizados com uma planta da família da mostarda, chamada Arabidopsis thaliana. Os pesquisadores constataram que essa planta regula cuidadosamente quanto deve consumir de suas reservas de alimento de acordo com a duração da noite, não importa se serão 8, 12 ou 16 horas até o amanhecer. Pelo visto, ela divide a quantidade de amido disponível pela duração da noite, determinando assim a taxa ideal de consumo.

  Como as plantas sabem a quantidade de amido que têm em reserva? Como determinam o tempo? Como conseguem fazer cálculos matemáticos? Estudos futuros talvez esclareçam essas perguntas.

terça-feira, 21 de julho de 2015

O segredo da borboleta bela-dama




  HÁ MUITO tempo, observadores europeus têm admirado a colorida borboleta bela-dama (Vanessa cardui). Mas, quando o verão termina, essas borboletas desaparecem. O que acontece com elas? Será que simplesmente morrem quando o frio chega? Uma pesquisa recente descobriu algo extraordinário. Todos os anos, as borboletas fazem uma jornada entre o norte da Europa e a África.

 Os pesquisadores receberam informações de um sistema de radar sofisticado e de milhares de relatos enviados por pessoas de toda a Europa. Os resultados mostraram que, quando o verão termina, milhões de belas-damas migram rumo ao sul. A maioria delas voa a uma altitude de 500 metros — por isso é tão difícil ver sua migração. As borboletas esperam ventos favoráveis para sua longa viagem à África. Elas chegam a alcançar uma velocidade média de 45 quilômetros por hora. Em sua migração anual, percorrem até 15 mil quilômetros, desde o gélido norte da Europa até a tropical África Ocidental. Essa distância é quase o dobro da que a borboleta-monarca da América do Norte percorre. Para completar esse ciclo migratório, são necessárias seis gerações sucessivas de belas-damas.

 A professora Jane Hill, da Universidade de York, na Inglaterra, explica: “A bela-dama continua o ciclo, reproduzindo-se e seguin- do adiante.” Anualmente, todas as belas-damas saem do norte da Europa em direção à África, e todas as belas-damas de gerações seguintes saem da África para a Europa.

 Richard Fox, gerente de pesquisas da ONG Butterfly Conservation, declara: “Essa pequenina criatura pesa menos de um grama, tem o cérebro do tamanho da cabeça de um alfinete, não pode aprender de indivíduos mais velhos e experientes da espécie, mas consegue realizar uma migração intercontinental heroica. Acreditava-se que esse inseto voava às cegas, levado pelo vento, rumo à extinção no mortífero inverno britânico.” Mas esse estudo mostrou que “as belas-damas são viajantes bem avançadas”.

A rã que tinha filhotes pela boca

Rã do gênero Rheobatrachus dando à luz seus filhotes pela boca

  A RÃ do gênero Rheobatrachus, nativa da Austrália e considerada extinta desde 2002, se reproduzia de forma estranha. A fêmea engolia os ovos fertilizados e os chocava em seu estômago por cerca de seis semanas. Os filhotes saíam depois pela boca da mãe como rãs já desenvolvidas.

  Para que a rã não digerisse os ovos, ela precisava ficar sem comer e sem produzir ácido no estômago. Pelo visto, os ovos e os filhotes liberavam substâncias químicas que inibiam a produção do ácido.

  A rã costumava chocar uns 20 ovos de uma só vez. Até o momento de os filhotes saírem, eles somavam uns 40% do peso total do corpo da mãe. Seria parecido a uma mulher, que pesava 75 quilos, estar grávida de 20 bebês de 1,5 quilo cada um. Os filhotes dilatavam tanto o estômago da rã que comprimiam seus pulmões por completo, fazendo com que ela precisasse respirar pela pele.

  À medida que os filhotes ficavam plenamente desenvolvidos, eles saíam naturalmente num período de alguns dias. Mas, se a mãe pressentisse algum perigo, ela daria à luz vomitando os filhotes. Certa vez, pesquisadores viram uma fêmea pôr para fora seis filhotes de uma só vez. Eles foram atirados a cerca de um metro de distância.

 Algumas pessoas acreditam que o sistema reprodutor dessa rã foi um produto da evolução. Mas, para isso ser verdade, essa rã teria de ter passado por enormes mudanças de uma só vez, tanto em sua constituição física como em seu comportamento. “Não é possível imaginar uma mudança gradual e lenta em sua biologia reprodutora”, escreveu o cientista e evolucionista, Michael J. Tyler. “Esse padrão de comportamento ou funciona totalmente ou falha totalmente.” A única explicação possível, na opinião de Tyler, é “um pulo único, enorme e espetacular”. Alguns chamariam esse pulo espetacular de criação.

A perna do cavalo


Cavalos galopando

  UM CAVALO consegue galopar a uma velocidade de até 50 quilômetros por hora. Embora isso exija um esforço mecânico considerável, a energia utilizada é relativamente pouca. Como isso é possível? O segredo está nas pernas do cavalo.

  O que acontece quando um cavalo galopa? Quando a perna toca o chão, conjuntos de músculos e tendões elásticos absorvem energia e, como uma mola, fazem com que a perna retorne, impulsionando o cavalo para frente.

  Além disso, ao galopar, as pernas do cavalo vibram em frequências altas, o que poderia machucar seus tendões. No entanto, os músculos das pernas agem como amortecedores. Pesquisadores consideram esse conjunto uma “estrutura de músculos e tendões altamente especializada”, que fornece tanto agilidade quanto força.

  Engenheiros estão tentando imitar a estrutura da perna do cavalo para usá-la em robôs de quatro pernas. Mas, de acordo com o Laboratório de Robótica Biomimética do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, essa estrutura é tão complexa que é difícil reproduzi-la em vista dos materiais e do conhecimento de engenharia que existem atualmente.

A pele do diabo-espinhoso


Um diabo-espinhoso

  O DIABO-ESPINHOSO (Moloch horridus) é um lagarto da Austrália. Para matar a sede, ele extrai água da areia úmida, da neblina e da umidade do ar, e então a direciona até sua boca. Como ele faz isso? A resposta pode estar na sua impressionante pele.


 Sulcos na superfície da pele estão ligados a uma rede de canais dentro da pele, a fim de que a água seja direcionada para os lados da boca do diabo-espinhoso

  A pele do diabo-espinhoso é coberta de escamas. Alguns cientistas acham que a umidade ou o orvalho coletado nas escamas escorre até a superfície áspera da pele e entra numa rede de canais semiabertos, ou sulcos, localizados entre as escamas. Esses canais estão interligados e chegam até os lados da boca do diabo-espinhoso.

  Mas como esse lagarto faz para puxar a água da superfície das pernas, passá-la pelo corpo e levá-la até a boca, desafiando a lei da gravidade? E, ao esfregar sua barriga em superfícies úmidas, como o diabo-espinhoso consegue extrair água?

  Pelo visto, pesquisadores desvendaram o segredo desse lagarto. Os canais na superfície da pele estão ligados a outra rede de canais dentro da pele do diabo-espinhoso. A estrutura desses canais permite a capilaridade — um fenômeno em que a água é puxada para dentro de espaços estreitos, mesmo contra a força da gravidade. Assim, a pele do lagarto age como uma esponja.

  Segundo Janine Benyus, presidente do Instituto Biomimicry, imitar tecnologias de extração de umidade pode ajudar engenheiros a projetar um sistema que retire umidade do ar para resfriar edifícios de forma mais eficiente e também para conseguir água potável.

Olhudo e miúdo


Um társio

  MUITOS o chamariam de bonitinho; outros, de esquisito. Ele tem pernas finas e longas, pelo macio e olhos enormes e brilhantes. Seu corpo tem uns 13 centímetros de comprimento, e ele pesa pouco mais de 100 gramas. Que animal é esse? É o társio.

  Vamos dar uma olhada mais de perto numa dessas criaturas, o társio-das-filipinas. Ele tem olhos, orelhas, patas, pernas e cauda que parecem grandes demais para seu corpo tão pequeno. 

AUDIÇÃO: As orelhas do társio, finas como uma folha de papel, podem dobrar-se, desdobrar-se e virar em direção ao mais leve ruído. Por causa de sua audição aguçada, o társio consegue evitar predadores, como os gatos selvagens, e também localizar sua presa. À noite, as orelhas do társio detectam o som de grilos, cupins, besouros, pássaros e rãs. Daí, ele vira toda a cabeça, direcionando seus olhos arregalados para sua refeição em potencial.

PATAS: As patas do társio são especialmente projetadas para segurar galhos finos. A ponta dos dedos é almofadada e tem ondulações bem definidas que fazem as patas aderirem aos galhos assim como um pneu adere ao solo. Mesmo enquanto dorme, o társio precisa manter-se agarrado ao galho. Pregas na parte de baixo de sua longa cauda garantem que ele fique firmemente apoiado na árvore até a hora de acordar.

VISÃO: Nenhum outro mamífero tem olhos tão grandes se comparados ao tamanho de seu corpo. Na verdade, o olho do társio é maior que seu cérebro! Seus olhos não giram em suas órbitas; eles estão sempre olhando para frente. Será que isso é uma desvantagem? Não, pois o társio tem uma compensação: um pescoço flexível que o permite girar a cabeça 180 graus para os dois lados.

AGILIDADE: As longas pernas do társio dão a ele a força necessária para saltar uma distância de até 6 metros — mais de 40 vezes seu próprio tamanho! Quando caça, esse pequeno predador noturno salta com os dedos esticados para agarrar a vítima com incrível precisão.

O társio raramente sobrevive em cativeiro, em parte por causa de seu apetite voraz por insetos vivos e de sua aversão a ser tocado. Ainda assim, essa criatura sem igual continua a fascinar os filipinos. Quase cada detalhe desse habitante das florestas de olhos esbugalhados é uma surpresa.


Proteção ao társio


Um társio na mão de um homem
Em 1997, o governo filipino proclamou o társio-das-filipinas um animal “especialmente protegido”. Por isso, é ilegal caçá-lo, destruir seu habitat e até mesmo tê-lo como animal de estimação. O társio continua a ter o carinho do povo filipino e é um cartão postal do país.

Austrália

 De acordo com uma pesquisa, um número cada vez maior de casais que estão se separando briga pela guarda de seus animais de estimação. Entre os bens mais disputados judicialmente, os animais de estimação só perdem para os imóveis, objetos pessoais e dinheiro.

O favo de mel







Abelhas construindo seu favo de mel


  A ABELHA-EUROPEIA constrói as paredes do favo de mel com cera, que é produzida em glândulas localizadas na parte de baixo de seu abdômen. O favo de mel é considerado uma maravilha da engenharia.

  Por séculos, matemáticos achavam que a forma hexagonal era melhor que triângulos equiláteros e quadrados — ou que qualquer outra forma — para dividir um espaço, aproveitando-o ao máximo e usando o mínimo de material. Mas eles não sabiam explicar exatamente o motivo. Em 1999, o professor Thomas C. Hales provou isso matematicamente com o que ele chamou de “conjectura do favo de mel”. Ele demonstrou que hexágonos regulares são a melhor maneira de dividir um espaço em partes iguais com o mínimo de sustentação estrutural.


  Por utilizarem células hexagonais, as abelhas podem usar melhor todo o espaço disponível, produzir um favo de mel de paredes leves e firmes com a mínima quantidade de cera e armazenar a máxima quantidade de mel nesse espaço. Não é de admirar que o favo de mel seja considerado uma “obra-prima da arquitetura”.

  Atualmente, os cientistas imitam o favo de mel para criar estruturas resistentes e que tenham melhor aproveitamento de espaço. A engenharia aeronáutica, por exemplo, usa estruturas em forma de favo de mel para construir aviões mais fortes e mais leves, gastando assim menos combustível.